Até pouco tempo atrás, a regra parecia simples: para economizar em viagens internacionais, bastava usar uma conta global ou comprar dólar em espécie, porque o IOF era menor do que no cartão de crédito.

Isso mudou. Desde julho de 2025, o IOF sobre gastos pessoais no exterior passou a ser de 3,5% em praticamente todas as modalidades: cartão de crédito, débito, pré-pago, compra de moeda em espécie e envio de dinheiro para conta própria fora do país.

E o cronograma que previa a redução gradual do imposto até zerar em 2028 foi interrompido.

Neste artigo, você vai entender o que mudou, onde está o verdadeiro custo das compras internacionais no cartão e como escolher a forma de pagamento mais barata em 2026, seja numa viagem, seja numa compra em sites estrangeiros.

O que mudou no IOF para gastos no exterior

O Decreto 12.499/2025 unificou em 3,5% a alíquota do IOF para gastos pessoais no exterior, com vigência a partir de 17 de julho de 2025.

O Congresso chegou a sustar os efeitos do decreto, mas o Supremo Tribunal Federal restabeleceu a norma. Na prática, a alíquota de 3,5% está valendo.

Tabela resumida das alíquotas

  • Cartão de crédito internacional: 3,5%
  • Cartão de débito e pré-pago internacional: 3,5%
  • Compra de moeda estrangeira em espécie: 3,5%
  • Saque no exterior com cartão: 3,5%
  • Envio para conta própria no exterior (conta global): 3,5%
  • Remessa com finalidade de investimento: 1,1%

Antes da mudança, a compra de dinheiro em espécie e o envio para contas globais pagavam 1,1%. Essa vantagem tributária deixou de existir.

O fim do cronograma de redução

Em 2022, havia sido definido um calendário para reduzir o IOF do cartão aos poucos, chegando a zero em 2028. Com o novo decreto, esse cronograma foi descontinuado.

Se o IOF é igual, o que muda o preço final?

Com o imposto igualado, a diferença entre as opções está em dois fatores principais:

  • Spread cambial: a margem que o banco ou a fintech cobra sobre a cotação do dólar comercial.
  • Momento da conversão: se o valor é convertido na hora da compra, no fechamento da fatura ou quando você carrega a conta.

O que é spread cambial

O spread é a diferença entre a cotação de mercado e a cotação usada pela instituição. Bancos tradicionais costumam cobrar spreads maiores no cartão de crédito, enquanto contas globais de fintechs tendem a trabalhar com margens menores.

Esse percentual deve ser informado pela instituição. Procure no aplicativo ou no site a “cotação do dólar para cartão” ou a “taxa de conversão”.

Cotação do dia da compra

Desde 2020, os emissores de cartão podem converter as compras internacionais pela cotação do dia de cada compra. Isso reduz a incerteza: você sabe quanto vai pagar em reais logo após passar o cartão.

Comparando as opções na prática

Veja um exemplo hipotético de uma compra de US$ 1.000, com dólar comercial a R$ 5,50:

  • Cartão de banco com spread de 5%: o dólar sai a R$ 5,775. Com IOF de 3,5%, o total fica perto de R$ 5.977.
  • Conta global com spread de 1%: o dólar sai a R$ 5,555. Com IOF de 3,5%, o total fica perto de R$ 5.749.

A diferença passa de R$ 200 em uma única compra. Numa viagem inteira, pode chegar a valores bem maiores.

Cartão de crédito tradicional

Vantagens: praticidade, aceitação ampla, possibilidade de acumular pontos ou cashback e proteção em caso de fraude.

Desvantagens: spreads geralmente mais altos e risco de gastar mais do que o planejado.

Conta global com cartão de débito

Fintechs como Nomad, Wise e opções de bancos como Inter e C6 Bank oferecem contas em dólar ou em outras moedas.

Vantagens: spreads menores, controle do orçamento e possibilidade de comprar dólar aos poucos, diluindo a variação do câmbio.

Desvantagens: é preciso carregar a conta antes, e nem sempre há acúmulo de pontos.

Dinheiro em espécie

Vantagens: útil para pequenas despesas e emergências.

Desvantagens: spreads em casas de câmbio podem ser altos, há risco de perda ou roubo e o IOF já não é menor.

E as compras em sites internacionais?

Nas compras online em lojas estrangeiras pagas em dólar, o IOF de 3,5% também incide sobre o cartão. Além disso, podem existir impostos de importação e ICMS, dependendo do produto e do valor.

Algumas plataformas oferecem pagamento em reais. Nesses casos, verifique se a cotação usada é justa e se o preço final, com impostos, compensa.

Cuidado com a conversão dinâmica

Em viagens, maquininhas e sites às vezes perguntam se você quer pagar em reais ou na moeda local. Essa conversão, chamada de conversão dinâmica de moeda, costuma ter cotação desfavorável. Na dúvida, escolha pagar na moeda local.

Pontos e milhas ainda compensam?

Muitos cartões de crédito oferecem mais pontos em gastos internacionais. Para quem acumula milhas, isso pode compensar parte do spread mais alto.

Faça a conta: se o cartão gera pontos que valem 1% do gasto, mas cobra 4% a mais de spread do que uma conta global, a conta global continua mais vantajosa.

Quando o cartão de crédito ainda é a melhor escolha

Mesmo com spread maior, o cartão de crédito pode ser a melhor opção em algumas situações:

  • Compras de valor alto: alguns cartões oferecem seguro de compra e garantia estendida.
  • Aluguel de carro e hotéis: muitas empresas exigem cartão de crédito para a caução.
  • Cartões com spread reduzido: algumas fintechs e bancos digitais trabalham com margens menores também no crédito.

Passo a passo para planejar os gastos de uma viagem

  1. Defina o orçamento total em reais, incluindo uma margem para imprevistos.
  2. Divida por forma de pagamento: por exemplo, 70% na conta global, 20% no cartão de crédito e 10% em espécie.
  3. Comece a carregar a conta global com antecedência, em várias datas diferentes.
  4. Anote cada gasto durante a viagem em um aplicativo ou planilha.
  5. Revise a fatura ao voltar e confira se todas as cobranças estão corretas.

Dicas práticas para economizar no exterior

  • Compare o spread antes da viagem: consulte a cotação do cartão e da conta global no mesmo dia.
  • Compre dólar aos poucos: carregar a conta global ao longo dos meses reduz o impacto das oscilações.
  • Use o cartão de crédito como reserva: ele é útil para cauções de hotel e aluguel de carro.
  • Avise o banco e ative alertas: notificações em tempo real ajudam a detectar fraudes rapidamente.
  • Evite sacar dinheiro no exterior: além do IOF, pode haver tarifas de saque.
  • Mantenha o score saudável: consulte o Serasa antes de pedir aumento de limite para a viagem.

Cuidado com a fatura na volta

Gastos de viagem costumam pesar na fatura do mês seguinte. Se não conseguir pagar o valor total, evite o rotativo, cujos juros médios passaram de 400% ao ano em 2026, segundo o Banco Central.

Se precisar parcelar, compare o parcelamento da fatura com um empréstimo pessoal com juros menores.

Perguntas frequentes sobre IOF e compras internacionais

Qual é o IOF do cartão de crédito em compras internacionais em 2026?

O IOF é de 3,5% para compras internacionais com cartão de crédito, débito ou pré-pago.

Conta global ainda vale a pena?

Sim, em muitos casos. O IOF é o mesmo, mas os spreads costumam ser menores do que os dos cartões de bancos tradicionais.

Comprar dólar em espécie ficou mais caro?

Sim. A alíquota subiu de 1,1% para 3,5%, igualando-se à do cartão.

O IOF vai zerar em 2028?

Não, pelas regras atuais. O cronograma de redução foi descontinuado com o decreto de 2025.

Compras em sites estrangeiros pagam IOF?

Sim, quando pagas em moeda estrangeira com cartão. Também podem incidir impostos de importação, conforme o caso.

Os pontos do cartão compensam o spread maior?

Depende do valor dos pontos e da diferença de spread. Se a vantagem em pontos for menor do que o custo extra na cotação, a conta global tende a sair mais barata no fim da viagem.

Como sei o spread do meu cartão?

Consulte o aplicativo ou o site do banco, na área de compras internacionais ou cotação do dólar. A instituição deve divulgar a taxa usada.

Conclusão: o imposto empatou, a escolha não

Com o IOF de 3,5% valendo para quase todos os gastos pessoais no exterior, a forma de pagamento mais barata depende do spread cambial e do seu perfil de uso.

Para a maioria das pessoas, combinar uma conta global para os gastos do dia a dia com um cartão de crédito como reserva é uma estratégia equilibrada.

Vai viajar ou comprar em sites estrangeiros? Compare hoje a cotação do seu cartão com a de uma conta global, salve este guia e compartilhe com quem está planejando as próximas férias.

 

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