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Nos últimos anos, os cartões de crédito com cashback tornaram-se uma das opções preferidas dos consumidores portugueses. Afinal, quem não gosta de receber dinheiro de volta por compras do dia-a-dia? Supermercado, restaurantes, combustível, viagens, tudo pode gerar retorno financeiro. Era uma fórmula quase perfeita: usar o cartão, pagar a 100% no fim do mês e ainda receber parte do valor de volta.

Mas, recentemente, muitos utilizadores começaram a notar algo estranho: as percentagens de cashback estão a diminuir. Alguns cartões que pagavam 2% passaram para 1%. Outros reduziram categorias, colocaram limites mais baixos ou até eliminaram totalmente o benefício. A tendência não é exclusiva de Portugal — é global.

Porquê? O que está realmente a provocar esta redução? Significa que o cashback está a morrer? Felizmente, não. Ainda existem cartões com excelente retorno, mas agora é preciso saber distinguir boas ofertas de programas pouco vantajosos.

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Neste artigo, vamos explicar de forma clara as razões desta queda nas recompensas e revelar onde encontrar as melhores opções no mercado português hoje.

O que é o cashback e como os bancos conseguem pagá-lo?

O cashback é uma percentagem do valor gasto que o banco devolve ao cliente. Se gasta 100€ e recebe 1% de cashback, ganha 1€.

Mas de onde vem esse dinheiro?

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O cashback é financiado por várias fontes:

1. Taxas de intercâmbio

Sempre que usa o cartão, o comerciante paga uma pequena taxa ao banco emissor.

2. Juros de utilizadores que não pagam a 100%

Uma parte considerável das receitas de cartões vem de juros.

3. Parcerias entre bancos e marcas

Alguns programas são financiados por publicidade ou acordos promocionais.

4. Incentivo ao uso

Quanto mais o cliente usa o cartão, mais o banco ganha — por isso paga para incentivar o consumo.

O problema é que vários destes factores mudaram nos últimos anos.

Porque é que o cashback está a diminuir?

Existem razões muito concretas para esta tendência. Aqui estão as mais importantes.

1. A União Europeia limitou as taxas de intercâmbio

As taxas de intercâmbio são uma das principais fontes de receitas dos cartões.

Mas em 2015, a UE limitou estas taxas para:

  • 0,3% em transacções com cartão de crédito 
  • 0,2% em transacções com cartão de débito 

Na prática, isto significa que os bancos passaram a receber menos dinheiro por cada compra, o que reduz a margem para pagar cashback.

Nos EUA, por exemplo, onde os limites não são tão baixos, as recompensas são mais altas. Na Europa, a margem é mais pequena.

2. Os consumidores estão a pagar menos juros

Com mais literacia financeira, muitos portugueses já sabem que o ideal é pagar a 100% todos os meses. Isso significa menos juros para os bancos — e menos dinheiro para recompensas.

Paradoxalmente, quanto mais os consumidores se tornam responsáveis e organizados, menor é a rentabilidade dos cartões.

3. A concorrência das fintechs obrigou os bancos a reduzir outras taxas

Com a chegada de fintechs como:

  • Revolut 
  • Wise 
  • Moey! 
  • Openbank 
  • N26 

…os bancos foram forçados a baixar custos como anuidades. Isto cria uma compensação difícil: se reduz taxas e cobranças, tem menos dinheiro para cashback.

4. Programas de cashback têm sido abusados em alguns mercados

Em certos países, consumidores usaram estratégias agressivas para maximizar cashback, como:

  • compras fictícias 
  • compra e devolução sucessiva 
  • pagamentos cruzados 
  • conversões de dinheiro disfarçadas de compras 

Alguns bancos redimensionaram programas por causa disto.

5. A inflação aumentou o custo dos benefícios

Oferecer cashback hoje é mais caro do que há 5 ou 10 anos, pois:

  • custos operacionais cresceram 
  • margem dos bancos encolheu 
  • exigências de segurança aumentaram 
  • expectativas dos clientes subiram 

Isto leva a ajustes nos programas.

Como os bancos estão a ajustar os programas de cashback

Não se trata apenas de reduzir percentagens. Os bancos estão a alterar a estrutura dos benefícios.

1. Cashbacks mais baixos

Cartões que davam 1,5% a 2% passaram a dar 0,5% a 1%.

2. Benefícios por categorias

Em vez de cashback geral, oferecem por categorias como:

  • combustível 
  • supermercado 
  • restaurantes 
  • viagens 

3. Limites máximos mensais

Por exemplo: 5€ ou 10€ por mês.

4. Cashback apenas em compras específicas

Muitas campanhas são financiadas por marcas, e não pelo banco.

5. Cashback condicionado a outras subscrições

– domiciliar ordenado
– contratar seguro
– usar o cartão X vezes/mês
– pagar uma anuidade premium

Ou seja, os programas estão mais segmentados.

Ainda existem cartões com bom cashback? Sim — mas são diferentes

Apesar das reduções, ainda há excelentes oportunidades para quem sabe o que procurar. e algumas fintechs e bancos digitais têm programas robustos porque trabalham com margens diferentes das dos bancos tradicionais.

Vamos analisar os tipos de cartões que continuam a oferecer cashback competitivo.

1. Cartões com cashback em parceiros específicos

Estes cartões oferecem cashback mais alto em lojas parceiras porque parte do benefício é subsidiado pelas marcas.

Pode encontrar cashback entre 5% e 20% em:

  • combustíveis 
  • supermercados específicos 
  • lojas online 
  • restaurantes 
  • viagens 

A desvantagem é a limitação: só funciona em alguns locais.

2. Cartões com categorias rotativas

Aqui, o banco oferece cashback maior em categorias que mudam todos os meses ou trimestres:

  • 5% em combustível em Abril 
  • 3% em supermercados no mês seguinte 
  • 4% em viagens em época alta 

Este modelo é inspirado nos cartões americanos.

3. Cartões premium com cashback como diferencial

Alguns cartões de nível Gold ou Platinum apostam no cashback para justificar anuidades elevadas. Nesses casos, é comum encontrar:

  • 1% a 2% generalizado 
  • limites mensais mais altos 
  • combinações com milhas ou pontos 

Mas exige contas: a anuidade compensa?

4. Cartões de fintechs com programas dinâmicos

Fintechs normalmente oferecem:

  • cashback em compras internacionais 
  • cashback em marcas parceiras 
  • cashback associado a planos premium 

Como operam com custos mais baixos, conseguem manter percentagens mais competitivas.

Como escolher o cartão de cashback ideal (sem cair em armadilhas)

O cashback pode ser valioso, mas apenas se for adequado ao seu perfil. Aqui estão os critérios essenciais.

1. Quanto gasta por mês?

Cartões com limite de 5€ por mês são inúteis para quem gasta 2.000€, mas podem ser bons para quem gasta 300€.

2. Em que categorias gasta mais?

  • Supermercados? 
  • Combustível? 
  • Restaurantes? 
  • Online? 
  • Viagens? 

Escolha o cartão que oferece cashback nas categorias que mais usa.

3. O cartão tem anuidade?

Muitas vezes, a anuidade “come” todo o cashback acumulado. Faça contas:

Se paga 30€ de anuidade e recebe 20€ de cashback, está a perder dinheiro.

4. Existe limite mensal de cashback?

Alguns cartões oferecem 2%, mas limitam a 5€ por mês.
Outros oferecem 1%, sem limite.

Às vezes, o cashback mais baixo pode ser melhor.

5. Atenção a campanhas temporárias

Alguns cartões anunciam cashback alto, mas apenas durante:

  • o primeiro mês 
  • o primeiro ano 
  • compras específicas 

Leia sempre as condições.

6. Considere ter mais do que um cartão

Pode usar:

  • um cartão para supermercados 
  • outro para viagens 
  • outro para benefícios gerais 

Se usar bem, pode maximizar retornos.

Quanto cashback pode realmente ganhar? (Exemplo prático)

Vamos considerar um consumidor médio que gasta:

  • 300€ em supermercado 
  • 150€ em combustível 
  • 100€ em restaurantes 
  • 200€ em compras online 
  • Total mensal: 750€ 

Com cashback generalizado de 1%, o retorno seria:

  • 7,50€ por mês 
  • 90€ por ano 

Com cashback segmentado poderia chegar a:

  • 120€–180€ por ano 

Ou seja, ainda vale muito a pena.

Cashback vs. programas de pontos: qual é melhor?

Muito depende do seu perfil.

Cashback é melhor para:

  • quem quer dinheiro imediato 
  • quem gasta pouco 
  • quem não quer complicações 

Pontos/milhas é melhor para:

  • viajantes frequentes 
  • quem usa cartões premium 
  • quem procura maximizar valor com estratégia 

O ideal? Ter um de cada, se possível.

O cashback vai desaparecer? Não — vai evoluir

A tendência não é acabar com o cashback, mas torná-lo mais:

  • segmentado 
  • limitado 
  • associado a parceiros 
  • competitivo 
  • ligado a produtos premium 

O cashback fácil e alto está a desaparecer, mas programas mais inteligentes estão a surgir.

Dicas práticas para maximizar cashback hoje

1. Use o cartão certo na compra certa

Não desperdice cashback usando o cartão errado.

2. Combine fintechs com bancos tradicionais

Revolut para compras internacionais, banco tradicional para supermercado, por exemplo.

3. Prefira cartões sem anuidade

O retorno é mais directo e seguro.

4. Registe-se em programas de parceiros

Muitas lojas oferecem cashback adicional.

5. Leia sempre as condições antes de aderir

Evita surpresas.

Conclusão: ainda há bons cartões com cashback em Portugal — só é preciso saber onde procurar

Embora muitos programas tenham reduzido percentagens, o cashback continua a ser um excelente benefício para quem usa o cartão de forma inteligente. Com algumas mudanças estruturais no mercado, é natural que as ofertas fiquem mais rígidas ou segmentadas. Mas continuam a existir oportunidades valiosas, tanto em bancos tradicionais como em fintechs, sobretudo para quem compara, analisa e ajusta o cartão ao seu estilo de vida.

A chave está em escolher produtos que realmente se adaptam ao seu perfil de consumo, entender os limites, evitar anuidades desnecessárias e aproveitar as categorias certas.

O cashback não acabou — está apenas a mudar. E, para muitos consumidores portugueses, ainda pode significar poupanças reais todos os meses.

 

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